11 fevereiro 26 Açores
Apresentação pública do Relatório da Proposta Orientadora para a Intervenção e Requalificação da Fábrica do Álcool
A Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos apresentou, na passada terça-feira, 4 de fevereiro, no auditório do NONAGON — Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, o Relatório da Proposta Orientadora para a Intervenção e Requalificação da Fábrica do Álcool, localizada no concelho da Lagoa.
O relatório resulta do trabalho desenvolvido por uma Comissão de Trabalho constituída no âmbito do Protocolo de Colaboração e do contrato celebrado entre a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública do Governo dos Açores e a Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, com o objetivo de definir soluções estratégicas e exequíveis para o futuro de dois importantes conjuntos de património industrial da ilha de São Miguel.
Estiveram presentes o Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, o Presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, e o Presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, Nuno Costa. Participaram igualmente representantes de entidades regionais e locais, deputados regionais e municipais e um número significativo de cidadãos.
A apresentação contou com a participação da Prof.ª Doutora Isabel Soares de Albergaria, do Arquiteto Paulo André Franco e do Arquiteto Nuno Costa. Foram abordados a história da fábrica, o conceito de museologia, a caracterização arquitetónica do edificado e o respetivo estado de conservação, o programa de usos proposto, o modelo de procedimento concursal e as recomendações dirigidas ao Governo dos Açores.
A proposta apresentada visa valorizar o património edificado e integrar a memória do conjunto industrial, de forma disseminada nos seus múltiplos espaços e usos. Defende a articulação entre o acervo material e a dimensão imaterial associada à produção fabril e às dinâmicas sociais e recreativas, assegurando uma utilização viva e funcional do espaço.
O programa de usos propõe a criação do «Mercado da Fábrica», oficinas criativas e espaços de trabalho partilhado, restauração, cafetaria, comércio e serviços, um espaço multiusos e um empreendimento turístico, bem como a integração de espaços verdes e de lazer. O procedimento concursal para a futura construção, exploração e utilização deverá considerar, como critérios de adjudicação, as condições de exploração e preço e a qualidade da solução arquitetónica e urbanística. O relatório inclui ainda um conjunto de recomendações relativas à conservação do património edificado e à preparação do procedimento concursal.
O documento sistematiza um processo que integrou investigação histórica, análise arquitetónica e urbanística, avaliação do estado de conservação e um forte componente de participação pública, envolvendo cidadãos, especialistas e entidades regionais e locais. A proposta defende a valorização da Fábrica do Álcool como futuro polo de dinamização económica, social e cultural da Lagoa, devolvendo este espaço à comunidade e garantindo a preservação da memória, identidade, integridade e autenticidade do conjunto industrial.
Na ocasião, o Presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, Nuno Costa, sublinhou que a proposta defende “uma requalificação e intervenção que respeite a identidade e memória, bem como valorize a integridade e autenticidade do edificado existente”. Agradeceu ainda a confiança do Governo dos Açores, através da Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, bem como a colaboração e o empenho dos membros das Comissões de Trabalho e dos colaboradores da Ordem dos Arquitectos envolvidos no processo.