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Norte 41° - Centro de Arquitectura, Criatividade e Sustentabilidade

Norte 41° - Centro de Arquitectura, Criatividade e Sustentabilidade

Em 2002, a OA adquiriu duas habitações geminadas, com logradouro comum, datadas do final do século XIX e localizadas na Rua Álvares Cabral, que em 2004 viriam a ser objeto de concurso público para a instalação da sede da OASRN. O processo de licenciamento foi deferido em 2008, ano em que a OASRN decidiu que os edifícios, para além de garantirem o funcionamento dos serviços da Ordem, deveriam constituir-se como uma referência e caso de estudo no campo da reabilitação de imóveis com valor patrimonial, com a aplicação de técnicas que permitam conciliar os parâmetros de sustentabilidade e as exigências de respeito pela sua integridade patrimonial.

Apresentada candidatura ao programa ON.2, o projeto obteve, em 2013, financiamento do QREN, com um investimento total no valor de 1.687.228,62 euros, sendo financiado a 92,6%: 85% pelo QREN e 7,6% pela Câmara Municipal do Porto.

Desta forma o Norte 41° constituiu-se como um Centro de Arquitetura, Criatividade e Sustentabilidade integrado na orgânica da OASRN, com o objetivo de promover projetos de investigação, formação, divulgação e debate de temas emergentes na prática profissional do arquiteto. A sua designação refere o paralelo geográfico Norte 41° que interliga cidades fundamentais para a História da Arquitetura, como Barcelona, Roma, Chicago, Nova Iorque, Istambul ou Tbilissi. Esta vocação e envolvimento internacional permitiu a concretização concertada da reabilitação e construção da atual sede da OASRN, inaugurada em 2016, pensada como um projeto-piloto que integrou um conjunto de atividades dirigidas à reflexão sobre a regeneração urbana sustentável com capacidade e vocação para estimular processos de reabilitação análogos, que tem continuidade no tempo longo através do seu Centro de Estudos, criado em 2018.

A primeira fase do projeto Norte 41°, de 2014 a 2016, debruçou-se sobre a concretização da obra de reabilitação, restauro e ampliação da atual sede da OASRN, segundo premissas de qualificação do espaço público, capacidade de desenvolvimento económico, social e cultural, que permitissem a capacitação da comunidade local como elemento fundamental para a regeneração urbana na cidade do Porto.

Na prática esta fase dividiu-se em quatro linhas de atuação:

1. Mobilização da Comunidade, através de iniciativas como o Prémio Arquétipo, prémio bienal de criatividade e sustentabilidade, com bolsa de investigação para o desenvolvimento de uma proposta sustentável para o espaço arquitetónico.

2. Promoção da informação, decorrente do trabalho em torno da sede da OASRN como objeto pedagógico, que permita a divulgação de boas práticas de eco-inovação e sustentabilidade na área da construção e dos hábitos sociais, que estimulem a participação de arquitetos, urbanistas, artistas, geógrafos, sociólogos, investigadores de diversas áreas do conhecimento e dos cidadãos no debate arquitetónico.

Neste âmbito a OASRN abriu, ao público em geral, um Centro Documental (Arquivo) e uma biblioteca. Para os membros, assegurou salas de formação e capacitou-se como entidade certificada nas áreas de Arquitectura e Urbanismo (581), Construção Civil e Engenharia Civil (582), Higiene e Segurança no Trabalho (862), Desenvolvimento Pessoal (090) e Direito (380).

3. Sensibilização junto da comunidade, sobre matérias de sustentabilidade ambiental, económica e social, no âmbito do ambiente construído.

4. Promoção de inovação, tomando a sede da OASRN como caso de estudo, através da monitorização regular e avaliação das medidas arquitetónicas, construtivas e funcionais adotadas, capaz de as potenciar, melhorar e reequacionar, produzindo informação técnica fundamental para a Arquitetura com valor patrimonial e para o trabalho desenvolvido por entidades parceiras, como por exemplo, na área da eficiência energética, a AdePorto.

A segunda fase do Norte 41°, estimulada pela comemoração dos vinte anos da Ordem dos Arquitectos, corresponde à criação, em 2018, do Centro de Estudos Norte 41° (CEN41°), que tem como principal premissa a congregação, cooperação e promoção de projetos de investigação, formação, divulgação e debate de temas emergentes na prática profissional do arquiteto, com o objetivo de disponibilizar novas ferramentas e soluções para os problemas atuais do sector. Afirmar-se como um espaço de promoção do conhecimento, de confluência entre a produção académica multidisciplinar e a profissão, de interligação da profissão e da OASRN com a sociedade em geral. Congregar e produzir informação que assinale a presença dos arquitetos no espaço público, influenciando a discussão pública e a agenda em questões legislativas, sociais e estratégicas ligadas à Arquitetura, nos seus vários aspetos e manifestações (profissão, território, urbanismo, construção), no enquadramento cada vez mais premente da preocupação com a sustentabilidade, a eficiência no uso dos recursos existentes, e a transição para a economia circular.

Atividades - OA Norte

ATIVIDADES

INVESTIGAÇÃO

Observatório da Profissão

Observatório da Profissão

Desde 2006 foram feitos diversos esforços para observar e interpretar o exercício da profissão, sob vários aspetos, extremamente relevantes para o conhecimento num contexto específico, que acabou por resultar numa análise importante, mas circunscrita.

Em 2020 as Secções Regionais do Norte, do Centro e de Lisboa e de Vale do Tejo, com apoio do Conselho Diretivo Nacional, avançaram com o trabalho prévio que viria a permitir a constituição, na 16ª Reunião Plenária do Conselho Diretivo Nacional, de 4 de junho de 2021, do Grupo de Trabalho do Observatório da Profissão, coordenado pelo CDN e composto por um representante da Assembleia de Delegados e de cada Secção Regional.

O Observatório da Profissão apresenta-se como uma ferramenta de recolha, análise e cruzamento de dados relativos à profissão (inquéritos, plataformas de dados oficiais como INE, Portal Base, Eurostat, CAE, OA, etc.), assumindo um trabalho de monitorização permanente, uma espécie de live streaming, uma visualização contínua que gere informação, acessível a todos, que permita identificar prioridades, definir medidas de intervenção e operacionalização e contribuir para políticas em torno da Arquitetura, com recurso a dados rigorosos.

+ Informação em breve

Plano Estratégico para o Sector da Arquitectura no Norte de Portugal: 2018-2038

Perante um mercado decrescente, com lenta recuperação nos anos pré-pandemia, e uma concorrência crescente, a OASRN decidiu avançar com uma reflexão sobre o sector da Arquitetura no Norte de Portugal.

A insuficiência de dados e a inexistência de uma definição de estratégias a curto, médio e longo prazo, para viabilidade e dignificação da prática profissional, exigia um trabalho especializado, que ficou a cargo da Escola de Gestão e Economia da Universidade do Minho (coordenação dos Professores Doutores Francisco Carballo-Cruz e João Cerejeira), com estrita colaboração da OASRN / CEN41°.

O estudo contou com o apoio de uma Comissão de Acompanhamento constituída para o efeito, com arquitetos representativos das várias formas de exercício profissional e desenvolveu-se em três fases:

  • Diagnóstico
  • Plano Estratégico para os próximos 20 anos
  • Modelos de Organização

Para aproximar os membros do projeto e dar-lhes voz ativa, a OASRN organizou um Ciclo de debates participativos, temáticos e descentralizados que foram transmitidos em streaming:

  • 4 abril 2019 | A Evolução dos Honorários (Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra)
  • 30 maio 2019 | A Evolução do Exercício da Arquitectura. Como salvaguardar e impulsionar a prática profissional (Casa do Professor, Braga)
  • 28 junho 2019 | O Arquitecto e a Administração Pública (Teatro Viriato, Viseu)
  • 27 setembro 2019 | Apresentação Pública da Fase de Diagnóstico (Sede da OASRN, Porto)
  • 10 outubro 2019 | Mercados para o futuro (Biblioteca Municipal, Vila Real)
  • 31 outubro 2019 | Arquitectura e Construção. Novo paradigma tecnológico (Assembleia Municipal de Aveiro)

Atualmente, pode assistir a estas sessões clicando no cartaz correspondente, acima apresentado.

ENCONTROS CIENTÍFICOS

7th International Formal Methods in Architecture

O 7th International Formal Methods in Architecture (7FMA), decorreu entre os dias 3 e 6 de dezembro na sede da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional do Norte (OASRN). O evento, organizado conjuntamente com o Laboratório de Investigação em Arquitetura da Escola Superior Artística do Porto (LIA-ESAP), com o apoio institucional da Cooperativa de Ensino Superior Artístico do Porto (CESAP), do Departamento de Arquitetura e Multimédia Gallaecia, da Universidade Portucalense (DAMG-UPT) e do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design, polo da Universidade Portucalense (CIAUD-UPT).

O evento encerrou no dia 7 de dezembro com visitas culturais a dois dos maiores ícones da cidade: os jardins e o museu de Serralves, pela manhã, e o centro histórico do Porto, à tarde.

O simpósio destacou-se pela participação de alguns dos principais nomes da investigação e prática em arquitetura a nível global, que partilharam as suas perspetivas sobre os desafios e inovações em métodos formais e computacionais aplicados à arquitetura e ao urbanismo:

  • José Pinto Duarte – construção aditiva e habitação sustentável.
  • Wassim Jabi – design paramétrico e fabrico digital.
  • Tasos Varoudis – IA e redes urbanas.
  • Meta Berghauser Pont – morfometria urbana.
  • Franklim Morais – IA, cidades e sociedade.

Para além das sessões de keynote, a programação incluiu apresentações de artigos científicos, workshops práticos e debates interdisciplinares, promovendo a troca de conhecimento entre investigadores, profissionais e estudantes, provenientes de 25 países:

Argélia, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chipre, Dinamarca, Egipto, Estónia, França, Grécia, Índia, Israel, Itália, Moçambique, Países Baixos, Perú, Portugal, Sérvia, Singapura, Espanha, Suécia, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos.

Representando 64 entidades, o evento teve um foco especial na aplicação de tecnologias emergentes e métodos formais em desafios sociais e técnicos. O 7FMA reforçou o papel central da arquitetura na criação de soluções inovadoras e sustentáveis para o ambiente construído.

+ Info

2051: Odisseia dos Espaços. (Eco) Ficções do Ambiente Construído

A 4ª edição do Seminário, intitulado 2051: Odisseia dos Espaços. (Eco)Ficções do ambiente construído, com organização da OASRN em articulação com a plataforma Architects Declare Portugal, pretendeu abordar noções de sustentabilidade a partir da paisagem construída.

Compreendendo os indicadores para o desenvolvimento sustentável da ONU, este seminário promoveu o encontro interdisciplinar para discutir sustentabilidade ambiental, económica e social no percurso do ambiente construído. Lançando o mote para imprimir na consciência coletiva a urgente necessidade de repensar as práticas do setor da construção e instigando uma análise futurológica do European Green Deal, permitiu refletir sobre o território após o cumprimento das metas de 2050, procurando perceber que realidades poderemos ter em 2051 e os passos que a elas nos conduzirão.

Partindo da necessidade de aproximação da Secção aos seus membros, cada painel temático teve lugar numa cidade da região afeta à OASRN: Póvoa de Varzim, Guimarães, Vila Real e Porto, nos dias 10, 17 e 24 de setembro e 1 de outubro, respetivamente.

Associado a cada painel temático, realizou-se um programa paralelo, composto por visitas exclusivas, especializadas, técnicas e culturais, com número limitado de participantes.

Desta iniciativa resultou a publicação dos resultados obtidos com a discussão pública desta temática.

A Cidade Informal. Estratégias de Inclusão

A 3ª edição do Seminário N41°, inserida Jornadas Europeias do Património 2016 e comissariada pelos arquitetos Inês Calor e Manuel Luís Rodrigues realizou-se de 23 a 24 de setembro, na recém-inaugurada sede da OASRN, e procurou refletir sobre a regeneração e a reabilitação dos centros urbanos e a origem dos fenómenos inerentes, à luz dos novos instrumentos legais.

A cidade cresce com vontade própria, moldada pela vontade dos seus habitantes, usuários e visitantes e, não raras vezes, alheia às boas práticas de Arquitetura e pressupostos formulados pela administração. Conhecer e entender as origens do fenómeno da construção informal, no seu duplo sentido (de edificação espontânea ou alheia aos requisitos formais) implica lançar um olhar transversal sobre os processos urbanísticos de transformação da cidade.

Assistimos nas últimas três décadas a um fenómeno de grande crescimento das cidades, em paralelo com a intensificação das normas aplicáveis à construção. À medida que se densificam os requisitos técnicos, as formas de controlo urbanístico e os instrumentos de gestão territorial, aumentam igualmente as dificuldades dos atores envolvidos nos processos informais, herdados do passado ou surgidos no presente. Arquitetos, urbanistas e agentes da administração direcionam hoje muita da sua prática profissional à legalização, regularização e reconversão da obra consumada.

Nos anos mais recentes, importantes mudanças no cenário legislativo direcionado para esta problemática tiveram considerável impacto nos três elos do sistema de planeamento: elaboração de planos, controlo urbanístico e fiscalização. A legalização passou a figurar enquanto procedimento específico, tendo sido acompanhada da possibilidade de legalização coerciva. Novos desafios foram lançados à fiscalização municipal, com o modelo exclusivo de controlo a posteriori no procedimento de comunicação prévia ou das atividades abrangidas pelo licenciamento zero. Adicionalmente, um regime excecional (recentemente ampliado no âmbito e no prazo) possibilita a regularização de indústrias e outras atividades económicas mediante a alteração dos planos municipais de ordenamento do território. Até que ponto será a atual estratégia de inclusão da cidade informal uma fórmula ponderada, justa e equilibrada?

Neste quadro de mudança de paradigma, a OASRN procurou, através deste Seminário, promover uma importante discussão entre profissionais de Arquitetura, planeadores, dirigentes e todos os interessados nas questões do controlo urbanístico e ordenamento do território.

A Cidade Resgatada. Reabilitar a Cidade (Re)Desenhando-a

A 2ª edição do Seminário N41°, concretizou-se no dia 24 de outubro de 2013, na Casa das Artes, e pretendeu refletir sobre a regeneração e a revitalização dos centros urbanos a partir do Porto, para entender como o (re)desenho da Infraestrutura e Espaço Público no tecido das cidades históricas contribuem para definir estratégias mais eficazes e qualificadas para o povoamento e vida urbana.

No encerramento do Seminário foram anunciados os vencedores do Concurso Internacional de Ideias Norte 41°, Regeneração Urbana do Quarteirão Aurifícia, com inauguração da respetiva exposição de trabalhos.

Fotografias cedidas por Anabela Trindade - www.artstudio.pt CGD