28 julho 26 Lisboa e Vale do Tejo
Espólio David Ferreira de Oliveira Lopes (1911-1987)
O espólio do arquiteto David Ferreira de Oliveira Lopes (1911–1987) foi recentemente integrado na Biblioteca Keil do Amaral, numa cedência realizada no passado dia 20 de julho.
Importa recordar que a família do arquiteto já havia anteriormente depositado o respetivo acervo bibliográfico na Biblioteca da Ordem dos Arquitectos (cerca de cem publicações).
Com a receção deste espólio, a SRLVT dá continuidade à sua política de valorização, tratamento, preservação e disponibilização de acervos e espólios de arquitetos, reforçando os recursos disponíveis para a investigação e contribuindo para um conhecimento mais aprofundado das trajetórias profissionais e da obra dos arquitetos portugueses.
David Ferreira de Oliveira Lopes estudou Arquitetura e Urbanismo na Academia Real de Belas Artes, na Escola de Saint-Luc e na Universidade Livre de Bruxelas, cursos posteriormente acreditados pela Escola de Belas-Artes de Lisboa (atual Faculdade de Belas-Artes).
O arquiteto é oriundo de uma antiga família portuguesa estabelecida em Belém do Pará, em que passou o período da Segunda Guerra Mundial, até 1950. Entre os anos de 1941 e 1946 venceu todos os prémios da Secção de Arquitetura do Salão de Belas Artes do Pará.
De acordo com o investigador Ricardo Agarez, partilhou escritório com Faria da Costa (1953-1959), sendo desse período a autoria de numerosos projetos. Entre 1959 e 1971, a sociedade incluiria Jorge Costa Maia e, a partir dessa data, José João Faria da Costa.
Foi funcionário do Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (1977-1987).
Foi autor do projeto do Pavilhão do Instituto do Vinho do Porto na Exposição Internacional de Bruxelas de 1935, cidade em que colaborou com o artista belga Armand Cornut nos projetos para o monumento ao Rei Alberto I e para a Estação de Midi.
Em Belém do Pará foi autor, com Meira Filho, dos projetos para o Estádio dos Covões, para a Sede da Rádio Marajoara, Auditório do Conservatório Carlos Gomes, para a entrada nobre do Museu Emílio Goeldi. Também assinou o arranjo urbano envolvente à estátua de Pedro Teixeira, da autoria de António Duarte, projeto da década de 1940 apenas realizado em 1969-70.
Do tempo em que partilhou escritório com Faria da Costa datam os projetos do edifício-sede da Nogueiras Internacional (inaugurado em 1967) e do “Galeto”, ambos na Avenida República em Lisboa, ou o edifício de habitação multifamiliar na Rua Marquês de Fronteira 171 (1956).